CECQ

Categorias Cultural
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Loulé, Portugal

CECQ – Centro de Educação e Cultura de Quarteira.

O lote do projeto limitado a Norte por eixos viários e a Sul por um conjunto de moradias unifamiliares de baixa densidade, o projeto permite uma permeabilidade, numa tentativa de criar continuidade com a malha urbana existente. O projeto é inerente ao seu envolvimento com a comunidade e também gerando uma forte e vibrante interação com a cidade. A análise das condicionantes na implantação levou a uma morfologia estética simples, limpa, imponente, ainda com uma presença discreta, onde os volumes identificam com clareza as várias funções que o edifício engloba.

Vislumbra-se uma praça de calcário aberta ao público que garante a continuidade espacial com a envolvente, quer natural, quer urbana. Entre os dois volumes rectos de betão branco surge suspenso um corredor que prolonga o espaço público que os une. No topo dos edifícios paira uma lamina horizontal de betão que coroa todo o conjunto, num gesto leve e subtil. A praça central, nua e ampla, é o ponto de partida e de chegada, é palco de atividades, interações sociais e novos fluxos e abre para o parque atravessando a mineralidade arquitetónica que o betão branco materializa e pelas zonas naturais adjacentes existentes.

A partir da praça desenhou-se a projeção dos dois polos (educativo e cultural), separando-os. De um lado da praça desenhou-se a escola de dança e todo o programa que lhe é essencial disposta em dois pisos à superfície abraçados pelo verde da vegetação do parque. Do outro lado o centro cultural que se desdobra em dois volumes, um deles languido com dois pisos – um também à superfície e outro semienterrado – e outro mais alto ao longo de 4 pisos. Para conectar os dois programas o corredor aéreo toca em todos os edifícios, unificando-os, tornando-os num só.

O acesso ao edifício principal é dado pela cota inferior o que obriga o utilizador a atravessar a praça rampeada, criando um crescendo sensorial de monumentalidade do edifício à medida que se aproxima da porta de entrada principal do edifício. A partir do foyer que contempla uma bilheteira, um bengaleiro e uma loja, o utilizador pode seguir para a sala de espetáculo, o café-concerto, a black box e zonas administrativas. Para quem acede ao edifício através do nível superior, à cota da rua consegue também aceder à cota inferior através de uma rampa pública atrás do volume saliente que materializa a sala de espetáculo. Essa rampa desenha um jardim adjacente à loja mais íntimo onde grandes janelas rasgam o edifício e uma luz de sul ilumina o espaço interior. Em projeto optou-se por estender os acessos nesta cota superior para o programa criando uma passagem aérea que permitira o funcionamento independente do programa dando autonomia da biblioteca e Escola de Dança.

Para a sua fachada, o edifício conta com a adição de uma pele exterior composta por elementos com estrutura modular de prumos verticais e horizontais de betão pré-fabricado, permitindo rapidez no procedimento de assemblagem e construção, e redução de custos por ser algo pré-fabricado em série. Esta pele exterior, dada a sua profundidade, cria ensombramento nos espaços interiores para além de conferir mais privacidade aqueles que os usufruem.

A orientação do edificado foi pensada de forma a que os espaços administrativos e de trabalho, assim como espaços de permanência, como o café-concerto, estejam orientados a sul, usufruindo assim da luz natural constante ao longo do dia. A norte, encontramos espaços de serviços que requerem uma iluminação menos intensa (casas de banho, circulações verticais e o passadiço). A escola de dança usufrui de uma orientação sudeste/noroeste, permitindo que a luz natural não entre de forma direta nas salas, mas que resulte de um filtro natural devido à sua orientação e aos prumos verticais que compõe o revestimento do edifício.

Renders: Axel Fangueiro