MAG

Categorias Cultural
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Vila Nova de Gaia, Portugal

MAG – Museu do Ambiente de Gaia

“Não basta abrir a janela para ver os campos e o rio.
Não é o bastante não ser cego para ver as arvores e as flores.
É preciso também não ter filosofia nenhuma.
Com filosofia não há arvores: há ideias apenas.
Há só cada um de nós, como uma cave.
Há só uma janela fechada, e o mundo lá fora;
E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse,
Que nunca é o que se vê quando se abre a janela”.

– Alberto Caeiro; Fernando Pessoa

O MAG ambiciona ser uma fábrica moderna, consciente e sustentável, onde natureza, arquitetura e cidade coabitam.

Localizado num território historicamente e ainda maioritariamente dedicado ao armazenamento de vinho, o nosso projeto para o MAG situa-se num terreno comprido de grande topografia e pré-existência de ruínas da antiga Fábrica das Devesas de azulejos. No projeto foi mantida a ruína do Forno Francês, as duas chaminés e o mostruário de azulejos.

Rompendo a malha urbana industrial local, a criação de um lugar que pretende regenerar e potencializar toda uma área de Vila Nova de Gaia em letargia e abandono. O projeto ambiciona ser tanto uma intervenção arquitetónica, como uma requalificação urbana.

A fim de recuperar a memória do que ali existia, a implantação do projeto resgata a tipologia fabril e cria um grande edifício linear que, proveniente da topografia, escadeia internamente. Criam-se diferentes níveis para diferentes usos e promovem-se diferentes vistas para o seu exterior, além de uma “promenade architecturale” no seu interior.

Assim, o projeto ambicioso, procura mimetizar-se na paisagem de caves a partir de uma forma igualmente imponente e comprida.

Além da forma respeitosa de um passado glorioso, nesta “fábrica do ambiente” buscámos na história uma materialidade que procurasse sugerir uma relação com o contexto projetado. Dessa forma surgiu o uso de arcos, tijolos, elementos metálicos, do vidro, pré-fabricação e a lembrança dos grandes vãos fabris.

Mapa de Localização
Mapa do Sistema de Transportes
+4 | Cobertura
+3 | Restaurante
+2 | Administração + Sala Polivalente
+1 | Atrium Auditório + Atrium Museu
0 | Auditório + Área Técnica + Biblioteca
-1 | Salas de Exposição
Fachada Frontal
Fachada Lateral Esquerda
Fachada Lateral Direita
Exposição Azulejos Pré-Existentes

Renders: Ian Alves

Museógrafa: Julia Moraes

Paisagista: Piso Térreo

MNM

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Mafra, Portugal

“A música é uma lei moral. Ela dá uma alma ao Universo, asas ao pensamento, um impulso à imaginação, um encanto à tristeza, a alegria e a vida a todas as coisas. Ela é a essência da ordem e eleva em direção a tudo o que é bom, justo e belo, de que ela é a forma invisível porém surpreendente, apaixonada, eterna.”

– Platão

Museu Nacional da Música – MNM

A nossa proposta sugeriu uma representação material na qual pudesse ser composta uma melodia museográfica, a história da música e o acervo do museu. Uma base que oferecesse a estrutura rítmica dos compassos, em conjunto com a dinâmica musical oferecida pela museografia.

Essa partitura nasceu da própria configuração do museu, na sua sucessão de salas que ofereciam o ritmo de uma pauta musical, elementos horizontais contínuos que ocupavam diversas disposições ao longo do sistema – demarcações no pavimento, elevações de expositores, assentos e encostos de bancos. Esse jogo de alturas controladas originou uma sucessão de elementos intercalados, que possibilitou a estruturação de um percurso museológico coerente.

A organização da exibição por âmbitos pretende organizar e guiar a experiência do público pelo museu. A experiência começa por uma zona introdutória, que pretende transmitir um contexto geral, seguindo em direção aos âmbitos centrais da exposição Cordofones, Membranofones e Idiofones e Aerofones, os quais estão organizados segundo uma classificação tipológica e pretendem expor o acervo do museu de uma maneira interdisciplinar proporcionando múltiplas conexões e interpretações. Por último, o âmbito final pretende encerrar a experiência do museu como um desfecho que une todos os conteúdos e gera uma forte conexão afetiva através de um grande interativo corporal. Assim como os expositores que foram idealizados como elementos integrantes do continuum espacial. Dentro deles será exposto uma mistura de conteúdos dos quatro acervos do museu (instrumental, iconográfico, fonográfico e documental).

Exposição Permanente
Sala do Piano
Biblioteca

MBBM

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Torres Vedras, Portugal

MBBM – Museu do Brinquedo e Biblioteca Municipal de Torres Vedras

Este projeto é a proposta da Apparatus de um concurso público para o MBBM, em Portugal. O programa integra as duas tipologias de forma a oferecer um núcleo aberto de atividades para a população.

A área de intervenção está delimitada entre a zona pedestre histórica, onde o espaço público e zonas verdes são praticamente inexistentes, à semelhança de outros centros históricos em cidades europeias. O conceito do projeto surge, então, da necessidade de devolver ao tecido urbano limitado um jardim cheio de vegetação e aberto ao lazer, que permita atividades ao ar livre para toda a comunidade.

O jardim acontece elevado, permitindo que o átrio do museu possa conectar-se com todo o programa no piso térreo. A forma em blocos do Museu e da Biblioteca surge através da circulação que aqui converge desde a zona pedestre histórica, espalhando-se para o resto da cidade e através da forma da Praça da Igreja. Estes blocos foram “rasgados” de forma a permitir a entrada de luz e ventilação natural para o interior. De forma a optimizar a incidência de luz solar numa solução versátil e eficiente, optou-se por se utilizar brises-soleil de madeira, capazes de controlar e desviar a luz directa que entraria dentro dos espaços, adaptando-os às mais diversas configurações interiores que possam existir. Além do bloco do Museu e do bloco da Biblioteca, um terceiro bloco surge albergando o café e o anfiteatro, situado de forma a possibilitar que o seu uso seja completamente independente do resto do programa.

Uma premissa que o projeto tinha objetivo de cumprir desde o início era manter a fachada histórica que, no projeto proposto, funcionaria como entrada do café e que levaria o visitante até uma obra de arte urbana realizada pelo artista Vhils.

Conceito
Fachada 1
Fachada 2
Fachada 3
Contexto
Corte 1
Corte 2
Planta Baixa do Térreo
Planta Baixa 1 Pavimento
Planta Baixa 2 Pavimento
Planta Baixa Garagem

CECQ

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Loulé, Portugal

CECQ – Centro de Educação e Cultura de Quarteira.

O lote do projeto limitado a Norte por eixos viários e a Sul por um conjunto de moradias unifamiliares de baixa densidade, o projeto permite uma permeabilidade, numa tentativa de criar continuidade com a malha urbana existente. O projeto é inerente ao seu envolvimento com a comunidade e também gerando uma forte e vibrante interação com a cidade. A análise das condicionantes na implantação levou a uma morfologia estética simples, limpa, imponente, ainda com uma presença discreta, onde os volumes identificam com clareza as várias funções que o edifício engloba.

Vislumbra-se uma praça de calcário aberta ao público que garante a continuidade espacial com a envolvente, quer natural, quer urbana. Entre os dois volumes rectos de betão branco surge suspenso um corredor que prolonga o espaço público que os une. No topo dos edifícios paira uma lamina horizontal de betão que coroa todo o conjunto, num gesto leve e subtil. A praça central, nua e ampla, é o ponto de partida e de chegada, é palco de atividades, interações sociais e novos fluxos e abre para o parque atravessando a mineralidade arquitetónica que o betão branco materializa e pelas zonas naturais adjacentes existentes.

A partir da praça desenhou-se a projeção dos dois polos (educativo e cultural), separando-os. De um lado da praça desenhou-se a escola de dança e todo o programa que lhe é essencial disposta em dois pisos à superfície abraçados pelo verde da vegetação do parque. Do outro lado o centro cultural que se desdobra em dois volumes, um deles languido com dois pisos – um também à superfície e outro semienterrado – e outro mais alto ao longo de 4 pisos. Para conectar os dois programas o corredor aéreo toca em todos os edifícios, unificando-os, tornando-os num só.

O acesso ao edifício principal é dado pela cota inferior o que obriga o utilizador a atravessar a praça rampeada, criando um crescendo sensorial de monumentalidade do edifício à medida que se aproxima da porta de entrada principal do edifício. A partir do foyer que contempla uma bilheteira, um bengaleiro e uma loja, o utilizador pode seguir para a sala de espetáculo, o café-concerto, a black box e zonas administrativas. Para quem acede ao edifício através do nível superior, à cota da rua consegue também aceder à cota inferior através de uma rampa pública atrás do volume saliente que materializa a sala de espetáculo. Essa rampa desenha um jardim adjacente à loja mais íntimo onde grandes janelas rasgam o edifício e uma luz de sul ilumina o espaço interior. Em projeto optou-se por estender os acessos nesta cota superior para o programa criando uma passagem aérea que permitira o funcionamento independente do programa dando autonomia da biblioteca e Escola de Dança.

Para a sua fachada, o edifício conta com a adição de uma pele exterior composta por elementos com estrutura modular de prumos verticais e horizontais de betão pré-fabricado, permitindo rapidez no procedimento de assemblagem e construção, e redução de custos por ser algo pré-fabricado em série. Esta pele exterior, dada a sua profundidade, cria ensombramento nos espaços interiores para além de conferir mais privacidade aqueles que os usufruem.

A orientação do edificado foi pensada de forma a que os espaços administrativos e de trabalho, assim como espaços de permanência, como o café-concerto, estejam orientados a sul, usufruindo assim da luz natural constante ao longo do dia. A norte, encontramos espaços de serviços que requerem uma iluminação menos intensa (casas de banho, circulações verticais e o passadiço). A escola de dança usufrui de uma orientação sudeste/noroeste, permitindo que a luz natural não entre de forma direta nas salas, mas que resulte de um filtro natural devido à sua orientação e aos prumos verticais que compõe o revestimento do edifício.

Renders: Axel Fangueiro